terça-feira, 19 de outubro de 2010

Entre retratos e figurinhas

Ontem pela manhã eles estavam aqui, trocando figurinhas do álbum para aquele que completasse primeiro sua coleção, ganhasse na troca, o prêmio...
Troquei inúmeras vezes meu álbum, mas o máximo que consegui foi um estojo que vinha com um lápis de escrever e borracha.
Depois eu os vi, colecionando fotos de festas de calouro, aquelas de cara pintada, verdadeiros “biXos” .... Festas de bebedeiras universitárias e viagens com os amigos. Neste álbum, houve trocas de personagens, de cenários, de emoções... Momentos únicos, peças raras e inigualáveis.
Passo a folhear as páginas desta história... Um passou a ser maestro, outros receberam canudos e muitos títulos. Outros são chamados de professores e uns até de doutores.
As figurinhas deram lugar às fotos produzidas, o glamour do vestido branco, brindes com champagne e traje de gala. O coral se desfez e virou “pai e mãe de família”, com direito a gato, cachorro, papagaio e vovó que tricota.
A figura que ontem era irresponsável, hoje veste terno e o tênis “All Star” azul de Nando Reis pintou de preto um “Ferracini”. Olha ele, que falava “to louco então”, todo engomado apertando a mão do “ Meritíssimo Doutor”...

Próxima página, a caneta continua escrevendo, as letras mudam continuamente e as figuras não se repetem, a se cena se inverte, nasce outra fase, outra vez...
Amanhã, seguem os títulos que te deram? As instituições, os termos... Avó? Novos títulos? Convenções? Amanhã, bom... Aí eu já nem sei, nem sei...

sábado, 14 de agosto de 2010

São voltas que o mundo deu Voltas e voltas que o mundo dá...

Há tantas surpresas,
E o tempo passa tão rápido...
Pessoas mudam frequentemente de lugar, de estatura, de dimensão...
Mas o que mais se sente, é quando mudam de sintonia...

Há tantas mudanças,
E o mundo dá tantas voltas, que sempre reencontramos o passado
Seja nas ladeiras, nas dobras, nos cantos...

São tantas explicações
Tantas perguntas...
Mas o importante é que as respostas,
Elas sempre vêm
De um jeito, de outro, sempre vem...
Assim, no momento mais inesperado... elas vem.
Basta apenas, pensar que esqueceu, e ela vem
Está ali, sem embrulho e laços de fitas.

De repente, nossos super-heróis viram cometas, estrelas brilhantes...
Mas esquecemos que cometas passam
Que estrelas caem, bem cadente...
E eles não eram nada mais que carne, acompanhada de tudo o que a carne tem
Tão somente humano, real, cru...

Aquele que diz se encantar com o novo,
Não vê, que procura sempre o velho...
Aquilo que passou, aquela esperança que já se foi.

É que heróis, são tão carne como nós,
Que gostam de ilusões e continuar sendo apenas,
Heróis...
Porém,
Herói sem medalhas.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

EPITÁFIO

Por favor, não me chame atenção quando chegar atrasada. Basicamente, estou sempre no “tarde demais”. Até quando chego no horário combinado, já se passou da hora...

Por favor, não me acorde... Minha consciência já acusa meus erros constantemente. Já é duro demais ouvir a mim mesma, não suportaria críticas a mais.

Pare, deixe tudo em silêncio. Não é preciso muitas palavras, bastam apenas gestos. Deixe-me apenas, um abraço.

Frases como “pensei em ligar para você, passei em frente a sua casa, queria ter lhe visto, quase atravessei a rua quando vi que estavas do outro lado! Pensei, pensei...” Não me servem! Pensamentos não me bastam, intenções eu já nem quero. Se quiser algo, faça.

Seu eu partir, deixe tudo em segredo, pois do passado só restam lembranças, e do futuro, apenas projetos. Reserve-me então, este momento.

Não me fale de sinfonias e melodias, pois canções são como marcas do tempo, que quando tocadas são levadas pelo vento... E as marcas do tempo, ah! São pensamentos que nos fazem viver sob a sombra do que poderia ter sido, do que poderíamos ter vivido e não vivemos... Viver a margem de nós mesmos é como um câncer que corrói. Machuca a alma.

Não, eu não quero ler poemas, tão pouco escrevê-los. Seria muita petulância de minha parte, pois para se colocar palavras em uma folha, é preciso ter intimidade com elas. Mais do que isso, necessário se faz ter respeito. Como ousaria expor-las?!

Assim como a escrita requer intimidade, a fala requer sabedoria. Ousaria de que maneira pronunciar TE AMO? Eis que já ouço cansada, o uso do vulgo “eu te amo”. Por vezes, soa como se fosse programado in “user join” (usuário registrado).

Conheça-me: Leia meus lábios quando sorrirem, leia meus olhos quando me despedir, observe meu caminhar quando partir... Ou quem sabe, me procure quando me perder.

Não interpretarei um papel que não escolhi, nem inventarei sentimentos que não vivi. Nesta tela, não sou pintora e no teatro, também não sou protagonista. Sou dos livros, das estantes, do silêncio e dos pensamentos... Esses que ficam perdidos nas entrelinhas. Aqui jaz, enfim... A mulher que condenada a ser um sonhador, morreu menina. Sou apenas, o pó, apenas metade de mim.

sábado, 15 de maio de 2010

De médico e louco, todo mundo tem um pouco!

Sei que o ditado popular não é dito como no título deste tópico, mas depois de tudo o que eu ouvi nos últimos dias, não me resta outra opinião.
Após receber a notícia de que sofreria uma cirurgia de extração das amígdalas, começaram os comentários....
Ouvi que deslocariam meu maxilar, fazendo com que meu queixo viesse parar no busto... Ouvi dizer também, que sofreria muito com a recuperação a ponto de chorar amargamente, de não conseguir falar... A cirurgia é nas amigdalas ou nas cordas vocais?!
De tantos absurdos que ouvi, o mais assustador foi imaginar meu maxilar deslocado olhando para o meu umbigo! Haha
Juro que quando conversei com o médico no dia seguinte, minha vontade era de dizer: “O ser de branco, fique longe do meu queixo ou eu te arrebento!”.
O que as pessoas têm contra ficarem quietas ao invés de bancar verdadeiros terroristas em cima do medo dos outros?
Como meu lado dramático e curioso prepondera minha razão, resolvi pesquisar no google os vídeos e imagens da tal cirurgia. Detalhe, na véspera! É gostar de sofrer por antecipação, não?!!
Para meu desespero, extração das amigdalas é tão feio quanto extrair um dente! Porém, muito mais doloroso.
Confesso ter ficado apavorada com a imagem, afinal, tem ferro abrindo a boca por tudo quanto é lado... O lado consolador é que não cortam seus lábios, não deslocam o maxilar, não quebram seus dentes, tão pouco desfigura sua face. Oh maravilha!
O mais triste será dizer adeus as minhas amigdalas que nunca mais verão as plaquinhas brancas que indicam uma bezetacil dolorida ou uma caixa de antibióticos depois. E que sejam bem vindas às noites bem dormidas! =D
O mais consolador, eu ouvi de uma menininha de 08 anos que me disse: Tia, é muito bom tirar as amigdalas, porque eles te dão um pote enorme de sorvete depois! Céus... Ouvi um anjo dizer que tem um pote de ouro no fim do arco-íris?
Ah sim, me esclareceram depois de muito me assustar, que o pós-operatório é gratificante, coma tudo gelado: pudim, sorvete, gelatina, iogurte... Resumindo, é permitido forrar a geladeira de doçuras geladas... haha!
Forrei minha geladeira com essas delícias geladas, mas com tantos doces, espero não precisar de uma gastroplastia (redução do estômago) depois! Porque com todas essas besteiras enquanto fico de repouso por uma semana, provavelmente eu não passe na porta.
A verdade é que a experiência é bastante dolorosa e com uma recuperação árdua, mas como tudo na vida, passa... passa. 

terça-feira, 4 de maio de 2010

Caminhos...

Já quis ser médica, mas pensei que cuidar da vida dos outros é muita responsabilidade... E se não for pra sair tudo perfeito, então não deveria ser.
Quem sabe eu me especializasse em cardiologia? Mas coração é trem complicado, confuso... Não consigo cuidar e entender nem do meu, que dirá coração alheio?!
Já pensei em ser astro de cinema, mas Hollywood poderia falir por meu drama intenso, suicida... Piegas demais.
Sonhei em ser astronauta e morar perto das estrelas... Só assim poderia literalmente chegar ao topo! Mas se eu estivesse no céu, choveria todas as noites... Logo, o planeta se afogaria!
Quis ser mestre das letras... Lecionar numa grande escola e ter muitos alunos... Mas não consigo entender porque no meio de tantas palavras, teria que escolher as palavras certas... Talvez, as palavras tenham temperamento muito forte, principalmente os verbos! Esses são cascudos... E se eu não usar as palavras corretas, isso possa ferir. Então, se não sei me fazer entender, não me seria possível então, ensinar.
Se meu mundo girasse, seria eu então uma escritora... Assim não teria limites com as palavras e viveria no mundo das letras, mas meus exemplares não venderiam, criariam poeira dentro das bibliotecas e sebos... Tenho alergia ao pó, morreria espirrando e com falta de ar.
Então poderia ser músico, tocaria as mais belas sinfonias e reproduziria as mais lindas melodias... Dos boleros, das valsas, daquelas óperas bem dramáticas, que para fazer soar a nota finda, só tocando com o coração... Não atrairia muito o público, menos ainda, venderia discos.
Decido então, colocar minha mochila nas costas e calçar meu all star já batido... Sair caminhando em trilhas com uma câmera fotográfica na mão. Fotografaria eu, o pôr do sol, que não precisa de palavras, mas a leitura de sua beleza pode ser vista e admirada a olho nu.
Retrataria em minhas obras: o grito, o riso, o choro... O abraço... Sim, pois as mais belas obras de arte estão nas expressões.
Expressionismo, esse que é visto dia a dia... Na face dos seres que nos cercam, na mudança de cada ambiente, de cada lugar...
Expressionismo, da mãe que espera a chegada de seu filho... No sorriso da namorada que encontra seu amor... No olhar da atendente já cansada... Nos olhos do homem galanteador... Simplesmente, expressão humana.
Não importa onde se construa os sonhos, afinal, o título que te deram de advogado, pai, filho, esposa, empregada, não diz o que você é, diz o que você faz.
Que possamos construir enfim, nossos sonhos em cima do que acreditamos e não de títulos, muito menos em cima de pessoas. Pois o tempo passa e descobrimos que os sonhos eram grandes, os títulos são apenas rótulos que te deram, e as pessoas, pequenas demais.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

“Mas também eu procurarei em toda a ocasião que tenhais lembrança destas coisas.”

Não quero ter a inteligência limitadora e gelada daqueles que só acreditam no que os olhos podem ver.
Quero eu, enxergar além da superfície e descobrir a alma de cada ser. Como a inocência de uma criança que acredita fielmente que beijo de mãe cura qualquer ferida, sara toda dor.
Como fez Pedro, quero “acrescentar fé à ciência e a ciência a temperança, e à temperança a paciência e à paciência a piedade. E à piedade o amor fraternal e ao amor fraternal à Caridade”. (II Pedro 1;8 e 9)
Pois se eu for capaz de abrir meus olhos para além do que podem ver, não serei estéril no conhecimento, nem cega espiritualmente.
Se isso me for possível, não me prenderei nem me limitarei ao tempo, e serei enfim, como Moisés que comandou Êxodo no vigor de sua sabedoria, no vigor de seus 80 anos.
Se não me for possível, ver além da carne e das obras de minhas mãos, serei já cega e sem frutos.
Quero, proteger e cuidar dos que amo, assim como a Criança, que acredita que se chamar pelo pai, o monstro que se esconde debaixo da cama vai embora para nunca mais voltar...
Quero eu, acreditar que o arco-íris é a caneta que Deus usa pra escrever no céu, e no final do desenho, existe o pote transbordando ouro.
Talvez, agora seja possível notar que foram necessários aqueles elogios mentirosos de que aquele desenho mais rabiscado era uma bela obra de arte! Quem não precisa de ilusões?
Essa pureza de criança que vê pequenas coisas como imensas!
Que acredita na magia da fada do dente que deixa sempre uma moeda em baixo do travesseiro na troca daquele dentinho que caiu...
Não quero deixar que se apague do paladar, o sabor delicioso do bolo feito pela vovó. E que não se esqueçam meus ouvidos, que a oração dela faz temporal se acalmar, faz qualquer catapora sarar...
Quando se é criança, o chá da vovó cura toda e qualquer dor de barriga. E se você tomar “tudinho”, embora o gosto seja amargo, ganha um doce depois!
Quero fazer parte do povo que busca ardentemente, como uma chama explosiva, dependentes de Deus. Buscar enfim, através da fé, explicações para aquilo que não se pode ver, porque apenas através da fé, se encontra algum sentido.

terça-feira, 16 de março de 2010

NADA MODERNINHA





O povo é complicado... E depois eu que sou contraditória...
Uns dizem que gostam de café fraco, ou do tipo descafeinado. Mas pra mim, é o mesmo que chá!
Há quem peça água mineral com gás e limão. Não é refrigerante de limão “diet” (compreende-se: sem adição de açúcar)??
Tem quem goste de café gelado e bem doce... Isso não é coca-cola?
Povo contrai matrimônio (casamento) hoje em dia e cada um fica na sua casa, dormem em camas separadas, só se vêem quando quer. Faz o favor, se for para ter vida de solteiro, permaneça solteiro.
Modernos usam o termo “instituição”, não é mais casamento.... hahahaha Tenho que rir!
Seguinte: instituição entende-se o conjunto de regras e normas estabelecidas, para a satisfação de interesses coletivos. Ou seja, não é casamento. Quando há casamento, trata-se de RELACIONAMENTO, não é coletivo, um casal defende o interesse de um só. Para isso, o padre lá todo bonitinho e ensaiado diz “tornem-se uma só carne”, etc e etc. Sacou? =D
O que é teu é teu, o que é meu é meu... Hilário! Moram juntos, adquirem as mesmas despesas. Dá para separar isso?
Dia mais, dia menos, o rei Salomão terá que refazer a cena e pedir para partir a criança no meio e dar metade para cada um dos cônjuges. Quem gritar “não!”, fica com o filho.
Atenção, namoro é namoro e ficar é ficar. Se quiser “ficar” não se ache no direito de pedir satisfações e fazer cobranças depois. Se for para existir cobranças, assuma namoro. Não confunda as coisas, direitos iguais, ok?!
Relacionamento aberto é utopia meu bem. Sempre há omissões relevantes, que se entenda como mentira e informações importantes que ficam em oculto. Ou seja, quando for para falar de relacionamento aberto, pense bem no que você quer e no que está falando. Se aceitares a proposta, sem ceninhas depois. Isso é muito feio, muito feio. (para não dizer ridículo).
Ah, espere aí. Mundo moderno há também a chamada Amizade Colorida. Bom... Amigo é amigo, ficante é ficante e namorado é namorado... Existe amizade depois que você fica com a pessoa? Poderá dizer ao “amigo”, coisas que amigos contam um para o outro? Perdoem essa minha limitada inteligência que delimita muito os temas.
Imagine a receita: adicione um ficar, com amizade colorida, mais relacionamento aberto e estereótipo de namoro às escondidas, famoso “caso“ (sim, porque se não é assumido, é “às escondidas”), colocar tudo num liquidificador, misturar bem. Resultado: Corações estraçalhados, confusos e enrolados.
Bom, para alguns é muito cômodo, também não querem nada além daquilo que já tem. Ocorre que numa relação entre duas pessoas, há sempre um lado que gosta mais. Logo, sofre mais.
Ainda há quem seja amigo das cartas, poesias e serenatas... Aos que brindam com sabor de vinho tinto, que esperam o telefone tocar no dia seguinte ou logo depois da despedida, um simples torpedo perguntando “você chegou bem?”.
Há quem prefira café passado com coador de pano e escolha ovo frito ao invés das modernas omeletes.
Há quem goste da troca de olhares e sorrisos disfarçados... Quem queira conhecer a pessoa em si, e não o status que ela possui.
Ainda existe magia nas flores e nos cartões, no flerte, no querer descobrir um ao outro e nas confissões.
Sim, pode parecer piegas. Mas o fato é: sou piegas e quero ter uma vida piegas também.