Lá em casa não se pode reclamar dos estudos. A matriarca da família, dona Denilde Luiza Machado Paes, de 73 anos não aceita ouvir reclamações. A vó Ziza, como chamamos, sempre conta que em nossos dias é muito melhor estudar. É mais fácil, há mais recursos, tem até cadernos e lápis coloridos!! E o melhor de tudo: não se apanha dos educadores quando erra a resposta.
Minha avó estudou até a quarta série do ensino fundamental, mas lembra com orgulho de que o algarismo romano X, equivale ao número cardinal 10. Porém, conta sempre também das dificuldades para aprender, da distância que tinham que percorrer para chegar à escola e que se não tivesse comida pra levar, passava fome.
O que mais marca nessa história, é quando ela conta que se a resposta fosse errada, a professora batia com uma régua de madeira nas mãos dos alunos. Se fosse apenas uma “reguada” nas mãos, não era nada. Pior era ficar de castigo e passar vergonha na frente dos demais colegas.
Com o tempo, vieram professoras amáveis, que apesar de terem o poder de impor a forma repressora de ensinar, optaram por ministrar com carinho seu conhecimento e transmitir com sabedoria à turma de minha avó. Mulheres estas, que ela recorda com muita saudade e admiração até hoje: sra. Adete Paladini e sra. Rosa Mazucco, que fizeram com que minha avó e seus colegas de escola, jamais esquecessem a arte da leitura e da escrita.
Em dias atuais, são diversas as modalidades de violência contra crianças e adolescentes. A violência física é a mais noticiada, ocupando índice absurdo.
A fim de garantir os direitos fundamentais, dentre eles o de vida e saúde, a lei de n° 8.069 decretada e sancionada em de 13 de Julho do ano de 1990, dispõe sobre o ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE, que traz em seu art. 13, uma das regras básicas para o combate a violência infantil:
“Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos, contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais.”
Dados fornecidos junto ao conselho tutelar do município de Criciúma, representado pela conselheira sra. Neuza Maria de Medeiros, são preocupantes.
Cerca de 90% das denúncias recebidas no conselho do município são de violência doméstica contra crianças e adolescentes. Na maioria dos casos, o autor de tal brutalidade é o padrasto, a mãe ou o irmão do menor.
Os bairros Renascer, Manaus e Tereza Cristina são os que mais apresentam denuncias.
Segundo a conselheira, o fato de os bairros acima citados apresentarem maior índice de violência contra crianças, não se dá ao fator financeiro, pois há bairros mais pobres na região que não apresentam casos de maus tratos.
Explica ela, que a dependência de drogas e álcool, sempre está envolvida nos casos de agressão. O que tem gerado destruição nas famílias e conseqüências irreparáveis às vítimas que são apenas, crianças indefesas.
As alegações das agressoras mães, de que batem para educar, é totalmente descabida. O que se tem visto não se trata de “leves palmadas” e sim, marcas e hematomas que provam os atos de espancamento e tamanha crueldade sofrida por menores.
Em criciúma, o conselho tutelar dispõe de 05 conselheiros para atender a população. Diariamente é nomeado um plantonista para socorrer as inúmeras denuncias da região. Infelizmente, parece que o número de conselheiros não é o suficiente. Há dias que um plantonista sozinho chega atender mais de 30 denuncias.
Importante destacar: Não se trata de 30 atendimentos de saúde ou reclamações, e sim, cerca de 30 crianças por dia que sofrem maus tratos.
É importante que casos assim, não sejam omitidos. Crianças em situação de risco merecem cuidados, para que seja possível evitar sérios danos a uma vida que só está começando dar os primeiros passos. Para ajudar no combate a violência infantil, denuncie! Disque 100 – secretaria nacional de combate à exploração e maus tratos infantis.
Conselho tutelar de Criciúma: 48. 3445.8923/ 3445.8922
Minha mãe me batia. E com razão. Aliás, pela quantidade de surras que tomei, deviam existir muitas razões. Hoje, no entanto, sinto que não preciso mais levar "palmadas" de ninguém. A educação sem limites, sem regras e sem bônus e ônus para ambas as partes, gera homens que não tem limites, nem regras. Consequentemente, estes não possuem caráter. "O que se tem visto", em alguns casos, no entanto, "não se trata de 'leves palmadas' e sim, marcas e hematomas que provam os atos de espancamento e tamanha crueldade sofrida por menores." Essas atitudes são extremas e totalmente desnecessárias e condenáveis. A educação, na maioria das vezes, se dá pelo exemplo. Em outras, por umas palmadas. Jamais pela violência.
ResponderExcluirMeu pai nos conta que meu avô era muito cruel,e ele queria fazer diferente conôsco e realmente o fez.Tenho minha baby de 4 anos, e por mais que uma criança erre eu repita um erro, ela ainda é criança amada e respeitada por Deus.Por isso aprendi que o Amor supera qualquer coisa que possa nos causar raiva e levar abater em uma criança.por isso concordo com você em dizer NÃO quando alguém diz que bater é educar.Não foi e numca será o metodo de um futuro melhor.
ResponderExcluirAdorei a relação que tu estabeleceu, entre os tempos,temos que concordar que em alguns aspectos a Educação melhorou.Mas creio que ainda não atingimos um nível de estabilidade, antes havia muita repressão, e agora um desleixo total, confundido com liberdade, a escola como um
ResponderExcluirtodo (em sua maioria),não consegue estabelecer um elo entre limites e afetividades positivas.Um professor consciente,não se perde entre o papel de ser amável com o grupo de alunos, facilitando assim a aprendizagem prazerosa,pois consegue ser autoridade sem ser autoritário.
Algo que penso e gostaria que refletisse, pois é apenas uma observação construtiva: Não costumo falar em transmissão de conhecimento,não acredito que isso exista.Saberes não se transferem, como uma sonda que retira sangue de um corpo e põe em outro,creio que conhecimento se constrói, de formas diferentes, na troca.
A "merenda",triste saber que muitas famílias estimulam seus filhos a frequentar a escola por ela, sem reconhecer o REAL papel da escola.Mesmo porque criança com fome, aprende sim! Senso comum dizer que barriga cheia faz o aluno render mais. Depende do aluno, o que for acostumado a comer bem sempre, terá sim dificuldades de continuar as tarefas quando a fome surgir, aluno que não come bem todo dia, tem o organismo acostumado a se virar com os nutrientes que tem.
O índice de violência é grande sim,dentro e fora do âmbito escolar, não só fisicamente, em todos os sentidos.Violências essas geradas não só pelos familiares, mas pelos professores, pelos colegas de aula...! E as vezes um "soco" que um discente leva em casa,dói menos que uma ofensa moral que leva na escola.Não temos como medir, apenas que nos preocuparmos e agirmos.
As escolas (em sua maioria) não levam até o fim as denúncias por causa do medo, e das ameaças que sofrem em certas comunidades; e quando tentam esbarram em conselhos tutelares, que me desculpe a franqueza, não entendem muito de educação, ou pelo menos não são preparados para tais cargos, isso quem fala é a realidade dos nossos Conselhos Tutelares, e não eu.Sou apenas uma via de voz.O fato de QUALQUER pessoa poder ser um Conselheiro Tutelar, é um dos motivos de certos absurdos que cometem.Mas também acho que cada comunidade tem o Conselho que merece, já que somos nós por votação que elegemos seus integrantes.
Com isso não se tem muita força intelectual e de vontade, para fazer com que CADA caso chegue e seja acompanhado no Ministério Público.Uma lástima real.
Desejo do fundo do coração, que um dia encontremos um caminho saudável, embora nunca perfeito.
Meus pais e avós também contam a dificuldade que passaram para estudar, das dificuldades. Até pouco tempo eu mesma reclamava que não me deixaram fazer estagio pois queriam que eu só estuda-se e eu reclamava pois conseguir o primeiro emprego foi um pouco difícil. Mas se observamos a educação está cada vez mais fácil e mais perto de nos do que antigamente e cada vez mais vemos alunos que não estão nem ai, que não querem estudar e sim badernar ou disputar com o colega quem tem o melhor caderno, para aqueles que realmente querem estudar o ensino basico está precário, se não tiver dinheiro para pagar um cursinho pré-universitario é praticamente impossível passar em uma universidade federal e ainda assim os que fazem sentem a diferença do estudo daqueles que fizeram em uma rede particular.
ResponderExcluirO governo atual já deu uma boa melhorada na educação mas estamos longe de uma boa educação básica e superior.
Primeiramente parabenizo a responsável pelo blog pela bela iniciativa.
ResponderExcluirMuito interessante a relação que estabelecestes entre a educação nos antigos e novos tempos, mas gostaria de me ater às palavras sobre maus tratos às crianças e adolescentes muito bem retratadas no artigo.
Falastes sobre os dados alarmantes que nos são informados sobre esses maus tratos, porém eu os pergunto: e as crianças e adolescentes que sofrem essas sessões de verdadeiro terror e nem ao menos estão nas estatísticas??
É triste que pais, tios, padrastos ou irmãos pratiquem essas ações e achem normal.
Mais triste é saber que MÃES presenciam essas sessões e não tomam nenhuma providência, pelo contrário, fazem parte dessa monstruosidade.
Bater NÃO educa, muito menos resolve problemas!!
DENUNCIE!!
Voltei ao blog, influenciada pelos comentários que lí, acho importante ressaltar que ter acesso mais facilitado à informação, graças as diversas vias de comunicações existentes, não significa ter conhecimento. Pois a meu ver conhecimento e informação são diferentes, conhecimento é o que se faz frente a informação, que vai depende de como foi a preparação para recebe-la.
ResponderExcluirA globalização fez com que pudéssemos visualizar o "desconhecido",mas isso não significa aprendizagem formal, depende de como é usado, ou seja qual é o objetivo.Acredito que existam mais meios de entretenimento do que de EDUCAÇÃO.
Também não acredito que o desleixo pela escola venha primeiramente do aluno,não procuro culpados pra nada, porque esse não e o caminho, mas se procurasse não focaria nos alunos, acham que eles são apenas o resultado de uma instituição perdida, em que não se prepara com eficiência e eficácia para receber o público. A realidade dos tipos de aulas no Brasil, é vergonhosa.
Aulas medíocres, chatas, cansativas ...
Se salvam alguns professores guerreiros e conscientes de seu papel, que é o de ensinar a pensar,que realmente preparam suas aulas, não simplesmente fingem que ensinam.Claro que nem toda aprendizagem será prazerosa, mas deve no mínimo ter significado.
TODO SER HUMANO gosta de aprender, faz isso desde o início da vida, no chamado período sensório-motor, o que as vezes repele o mesmo a avançar é o meio.
As vezes da até saudade da BOA concepção tradicional de educação, que embora ultrapassada, seguia sem hipocrisia seus objetivos.
Realmente bater não é educar, existem outros meios mais saudáveis, mas as vezes é preciso sim uma palmada vinda de um bons pais preocupados com a falta de limites dos filhos, não julgo, pois não sou hipócrita.
Claro que espancar ... pelos diversos tipos de realidades existentes em um seio familiar , é muito diferente.