quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

ESTAGIÁRIO DE DIREITO sofre... Ah, sofre!


Veja só, há regras que precisam ser respeitadas, regras bem simples por sinal. É preciso que saibamos viver em sociedade, se não estás disposto, procure uma caverna imediatamente!
No mundo das secretárias e estagiários em geral (do direito então, nossa!), também existe horários e limites.
Tem clientes que amam chegar ao meio dia quando se está na porta saindo para almoçar e para piorar, aqueles que chegam 15 minutos faltando para as 18 horas, quando estamos desesperados para ir embora.
Pense bem, nosso dia tem 24 horas, diminuindo às 08 do estágio, sobram 16, menos 05 que passamos na faculdade, são 11. Diminua o horário que ficamos no ônibus pra cima e pra baixo, as horas que ficamos nas filas de bancos, lotéricas e xérox, sim porque estagiário também é office boy! Quanto tempo sobra? Afee!
Não é porque ainda não somos formados, que se pode chegar a qualquer momento querendo que funcionemos como relógio! Afinal, até mesmo o relógio necessita recarregar suas pilhas.
Estagiários de direito não são advogados, então, não fique fazendo perguntas incessantes. Isso entonta qualquer ser humano!
Quando quiseres saber sobre aposentaria, pensão, em geral, sobre o mundo previdenciário, já vou avisando: direito previdenciário é igual à mulher, ninguém entende! Então, não força a “cuca” broto.
Se não sabem, estagiários tem horários de lazer, de refeição e até mesmo momento família. Então, nada de esperar aquele almoço de domingo para resolver o problema da colega da tia Cotinha ou da sogra da Mariquinha. Se elas quiserem, que consultem um profissional.
Quando fores a um escritório de advocacia, não fique caminhando em frente à mesa do estagiário ou da secretária, isso não fará com que o advogado te chame mais rápido. Horário é horário, espere pelo seu.
Importante: se foi dado entrada na sua ação hoje, não adianta ligar três vezes ao dia, nem perturbar perguntando o motivo da demora. Depende do fórum, do juiz, do raio que o parta e não de nós.
Se fizestes 05 filhos com cara pobre que não tem dinheiro nem para pagar pensão, nós estagiários não temos culpa, não temos... E não somos detetives. Então, é muito bom que seja informado o endereço para achar o crápula, senão, fica complicado.
Senhor cliente, não adianta chorar e dizer que tentou se matar 03 vezes porque sua ação não ta andando rápido o suficiente e estás te incomodando por culpa disso. Se tentou se matar todas essas vezes e não conseguistes, a incompetência é toda sua e não do estagiário.
Vida de estagiário é vida difícil, sempre tem um tio que espera você chegar de viagem e dizer: essa é a futura advogada da família. O povo que gosta de garantir atendimento gratuito. Igual família, não tem.
Como se não bastasse, sempre tem um engraçadinho que pergunta “você faz direito?” Com aquele duplo sentido, que piada idiota!
Estagiário só tem férias escolares, mas o estágio persiste eternamente. Não temos folga, a não ser o tal recesso forense, que para ser bem sincero, não passa de feriado de natal e ano novo.
É claro que chegaria o momento de falar do circuito interno do estágio, mas como nunca se sabe quem irá ler o blog, melhor deixar pra lá. Afinal, vaga de estágio não se encontra muito por aí, já estagiários a procura, tem aos montes!
Sem mais delongas, resta comprovado diante de todos os fatos acima, que vida de estagiário, por si só, já é bem complicada. Faça o favor, não amole!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

VESPERTINOS DO SONO





Sempre estudei no período da tarde. Até que um dia minha mãe teve a idéia de me transferir para o matutino, achando que eu deveria me acostumar a acordar cedo.
Na primeira semana, cheguei atrasada todos os dias. Era como se não ouvisse o despertador tocar (na verdade, eu não queria ouvir aquele som irritante), o sono da manhã parece sempre mais gostoso... Ainda mais no inverno.
Reclamei bastante, achando que minha mãe ouviria e permitiria que eu voltasse a estudar à tarde, mas só a ouvia dizer que logo me acostumaria a acordar cedo e não ia querer saber de outra coisa (doce ilusão, mamãe).
Anos se passaram e nada do tal “costume” chegar. Achei que tinha algo errado comigo, afinal, acordar cedo sempre foi um grande sacrifício.
Até os dias de hoje, quando chega o fim de semana, a alegria é gritante, mas ao entardecer do dia de domingo, vem àquela depressão: “Amanhã é dia de acordar cedo de novo”.
Quando estava crente que tinha algo errado comigo, vieram as palavras mais doces de um médico que respondia uma entrevista na TV: “existem pessoas que preferem a noite ao dia e elas são o que chamamos de VESPERTINOS DO SONO”.
Caramba! Há uma salvação pra mim! Há uma explicação científica que me chama de algo além de preguiçosa, SOU VESPERTINA DO SONO!
Mas “péra” aí, isso é uma doença? Predisposição genética? Ai... ai... ai... Até que o meu herói do dia continuou...
Explicava o médico, que poucos são selecionados a subverter a ordem biológica que regula o ser humano. Segundo ele, cerca de 10% da população é formada por seres vespertinos.
Para me deixar ainda mais feliz, ele afirmou que os GAÚCHOS, como vivem dias mais curtos, dormem e acordam mais tarde. Oh, céus! Mais um item que vinha para somar em meu favor. A conclusão é clara e há dois pontos que explicam o fato de que sou um ser Notívago = pessoa que gosta da noite, prefere ela ao dia. Ou seja, não tenho culpa se minha ordem biológica se inverte dos outros 90% da população e ser gaúcha natural de Porto Alegre, tchê!
E quer saber, somos nós, os vespertinos do sono que movimentamos boa parte da economia do País. Afinal, no mundo contemporâneo cresce absurdamente os serviços mais conhecidos como “24 horas”. O que necessita com que enquanto 90% da população dormem os outros 10% (os vespertinos do sono), atendam a necessidade dos que não dormem. Isso não é fantástico?
Bom, infelizmente não é assim. Nem todos que ficam acordados a noite se tratam de vespertinos do sono. Muitos ficam acordados por não ter opção mesmo, da mesma forma que eu acordo cedo por não ter alternativa que se enquadre a minha subversão do sono.
O mundo não muda por causa da minoria, e nós, vespertinos do sono, temos que nos adaptar e nos submeter ao “tic-tac” do relógio.
Há aproximadamente 05 anos trabalho num escritório que me faz despertar bem cedinho todos os dias. Confesso que ainda não me acostumei com isso e talvez, nunca me acostume. Com isso, só me resta desejar boa sorte aos demais subvertidos como eu!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

BATER PARA EDUCAR?



Lá em casa não se pode reclamar dos estudos. A matriarca da família, dona Denilde Luiza Machado Paes, de 73 anos não aceita ouvir reclamações. A vó Ziza, como chamamos, sempre conta que em nossos dias é muito melhor estudar. É mais fácil, há mais recursos, tem até cadernos e lápis coloridos!! E o melhor de tudo: não se apanha dos educadores quando erra a resposta.

Minha avó estudou até a quarta série do ensino fundamental, mas lembra com orgulho de que o algarismo romano X, equivale ao número cardinal 10. Porém, conta sempre também das dificuldades para aprender, da distância que tinham que percorrer para chegar à escola e que se não tivesse comida pra levar, passava fome.
O que mais marca nessa história, é quando ela conta que se a resposta fosse errada, a professora batia com uma régua de madeira nas mãos dos alunos. Se fosse apenas uma “reguada” nas mãos, não era nada. Pior era ficar de castigo e passar vergonha na frente dos demais colegas.

Com o tempo, vieram professoras amáveis, que apesar de terem o poder de impor a forma repressora de ensinar, optaram por ministrar com carinho seu conhecimento e transmitir com sabedoria à turma de minha avó. Mulheres estas, que ela recorda com muita saudade e admiração até hoje: sra. Adete Paladini e sra. Rosa Mazucco, que fizeram com que minha avó e seus colegas de escola, jamais esquecessem a arte da leitura e da escrita.

Em dias atuais, são diversas as modalidades de violência contra crianças e adolescentes. A violência física é a mais noticiada, ocupando índice absurdo.
A fim de garantir os direitos fundamentais, dentre eles o de vida e saúde, a lei de n° 8.069 decretada e sancionada em de 13 de Julho do ano de 1990, dispõe sobre o ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE, que traz em seu art. 13, uma das regras básicas para o combate a violência infantil:

“Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos, contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais.”

Dados fornecidos junto ao conselho tutelar do município de Criciúma, representado pela conselheira sra. Neuza Maria de Medeiros, são preocupantes.
Cerca de 90% das denúncias recebidas no conselho do município são de violência doméstica contra crianças e adolescentes. Na maioria dos casos, o autor de tal brutalidade é o padrasto, a mãe ou o irmão do menor.
Os bairros Renascer, Manaus e Tereza Cristina são os que mais apresentam denuncias.
Segundo a conselheira, o fato de os bairros acima citados apresentarem maior índice de violência contra crianças, não se dá ao fator financeiro, pois há bairros mais pobres na região que não apresentam casos de maus tratos.
Explica ela, que a dependência de drogas e álcool, sempre está envolvida nos casos de agressão. O que tem gerado destruição nas famílias e conseqüências irreparáveis às vítimas que são apenas, crianças indefesas.
As alegações das agressoras mães, de que batem para educar, é totalmente descabida. O que se tem visto não se trata de “leves palmadas” e sim, marcas e hematomas que provam os atos de espancamento e tamanha crueldade sofrida por menores.

Em criciúma, o conselho tutelar dispõe de 05 conselheiros para atender a população. Diariamente é nomeado um plantonista para socorrer as inúmeras denuncias da região. Infelizmente, parece que o número de conselheiros não é o suficiente. Há dias que um plantonista sozinho chega atender mais de 30 denuncias.
Importante destacar: Não se trata de 30 atendimentos de saúde ou reclamações, e sim, cerca de 30 crianças por dia que sofrem maus tratos.
É importante que casos assim, não sejam omitidos. Crianças em situação de risco merecem cuidados, para que seja possível evitar sérios danos a uma vida que só está começando dar os primeiros passos. Para ajudar no combate a violência infantil, denuncie! Disque 100 – secretaria nacional de combate à exploração e maus tratos infantis.

Conselho tutelar de Criciúma: 48. 3445.8923/ 3445.8922

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Alice no País das Maravilhas – A Saga!

Alice no País das Maravilhas é considerada uma obra clássica da literatura inglesa. Um conto, que marcou a infância de muitos de nós!
Apesar da obra apresentar-se como um conto aparentemente infantil, se trata de literatura surrealista, de difícil interpretação para leitores e espectadores.
Pêra aí, literatura inglesa? Entendi tudo! É por isso que o chapeleiro e a Lebre de Março aparecem sempre tomando chá. O que retrata um costume inglês.
No início do livro, Alice segue o coelho branco que olha diversas vezes para o relógio e caminha com pressa como quem está atrasado.
Curiosa, Alice o segue e o chama, mas o coelho branco entra na toca sem ouvi-la.
Ao se aproximar da toca, Alice, menina muito educada, pergunta: Posso entrar senhor coelho? Acontece que ela se aproxima demais e cai na toca do coelho, dando início a aventura.
Trata-se de uma obra literária, mas como em todo livro que lemos, sempre ficam aquelas interrogações no ar sobre o que o escritor quis expressar afinal, o que o inspirou, em que se baseou, pergunta-se: A saga de Alice é apenas uma história infantil, ou o início dessa aventura representaria algo mais ao autor?
Muitos críticos e psicólogos interpretam a obra como uma descrição da adolescência. E, de tal forma, Alice demonstra-se muito confusa e assustada com suas mudanças de tamanho.
Ao crescer repentinamente, Alice chora tanto, a ponto de inundar o corredor onde está. A tristeza da menina demonstra o quão se sente assustada, até mesmo que não sabe dizer ao certo quem é.

Neste sentido, pode se vislumbrar no capítulo V da obra, quando a personagem conhece a sábia Lagarta. Alice se apresenta e desabafa sobre suas repentinas mudanças e o quão confusa está:

“Quem é você?”, perguntou a Lagarta.
(...) Alice retrucou, bastante timidamente: “Eu — eu não sei muito bem, Senhora, no presente momento — pelo menos eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que tenho mudado muitas vezes desde então.
“O que você quer dizer com isso?”, perguntou a Lagarta severamente. “Explique-se!” “Eu não posso explicar-me, eu receio, Senhora”, respondeu Alice, “porque eu não sou eu mesma, vê?”
“Eu não vejo”, retomou a Lagarta.
“Eu receio que não possa colocar isso mais claramente”, Alice replicou bem polidamente, “porque eu mesma não consigo entender, para começo de conversa, e ter tantos tamanhos diferentes em um dia é muito confuso.”

As interrogações de dona Lagarta, que parecem mais questões filosóficas, acabam por irritar Alice. Até que a menina desabafa com dona Lagarta e diz: “é tudo muito estranho pra mim” e ouve um breve conselho: “Você se acostumará com o tempo”.
Após ouvir as palavras da lagarta, Alice continua seu caminho pelo país das maravilhas, até se encontrar com uma pomba que reclama de não ter dormido para cuidar seus ovos dos predadores. Porém, devido à mudança de tamanho da menina, a pomba tenta afasta-la temendo tratar-se de uma serpente.
Alice tenta convencer a pomba de que está enganada, até que a mesma pergunta o que ela é então. Novamente, a personagem parece perdida ao dizer quem é:

“Mas eu não sou uma serpente, já falei!”, insistiu Alice. “Eu sou uma... Eu sou uma...” “Bem! O que é você?”, perguntou a Pomba. “Eu posso ver que você está tentando inventar alguma coisa.” “Eu...eu sou uma menininha”, disse Alice, um pouco em dúvida, pois relembrava o número de mudanças pelas quais tinha passado naquele dia.

Na obra Alice contava apenas com 10 anos de idade e passava por transformações que caracterizam essas mudanças sofridas no início da adolescência.
O conto infantil que nos fez viajar na infância cresce junto com seus espectadores. Em 2010, Alice volta às telas do cinema com seus 17 anos, retorna a aventura ao País das Maravilhas, porém não se lembra da sua última visita há 7 anos.
A crítica subentende: Alice volta ao país das maravilhas com 17 anos, quando está entrando para a fase adulta. Ela é drogada? Sim, só pode ser perturbada e fazer uso de alucinógenos. De fato, já há livros polêmicos que afirmam o isso.
Acontece que Alice cresceu como nós e não nos causaria estranheza se na sua atual fase, estivesse vivendo num mundo sem as maravilhas que quando crianças críamos, mas que agora, retratasse a realidade desse mundo preto e branco.
O jeito é esperar e acompanhar nas telas do cinema. O filme tem previsão de lançamento para o mês de março deste ano. Espero que valha a pena conferir!